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O Estilo Kadiwéu parte 03 - Desenvolvimento dos produtos: uma proposta de metodologia PDF Imprimir E-mail
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22 de abril de 2008

Parte III -  Desenvolvimento de Produto
(esta parte do projeto está resumida)

1. Desenvolvimento de produtos á partir da arte Kadiwéu.

Nesta parte do trabalho teremos o desenvolvimento de um produto, Willie, e outras quatro propostas de produtos criados  partir da arte Kadiwéu, para concretizar as teorias tratadas anteriormente. Esse desenvolvimento de dará em três diferentes níveis:

1ª Forma. Adaptação - A forma mais simples de criar um produto á partir da arte Kadiwéu, é utilizá-la como decoração, aplicando seus desenhos em produtos, ou criar produtos sobre seus desenhos, simplesmente transformando os desenhos bidimensionais em formas tridimensionais, como se fossem extrudados. É nesta forma que está o castiçal Anoã 2.

2ª Forma. Desenvolvimento – Seria criar um produto á partir não da arte Kadiwéu, mas sim de conceitos dela. Utilizando seu estilo apenas como referência estética, como o castiçal Anoã, ou mesmo chegando a produtos que pouco se assemelhem á arte Kadiwéu, como o relógio Hádi e a lixeira Xaraye.

3ª Forma. Criação - Criar um produto novo, não apenas um desenho novo para um produto já existente. A partir do conhecimento da arte e da cultura Kadiwéu, mesclando também as duas formas anteriores, ou seja, criar uma forma e um tratamento gráfico extraídos da arte Kadiwéu, mas com um novo formato de produto. O objetivo é criar um produto original na sua essência, não apenas na forma. Dentro deste conceito temos o estojo multimídia Willie, que além de concebido dentro da observação e da utilização da arte Kadiwéu, contém toda esta pesquisa. 

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Projeto Willie

1. Introdução

Foi proposta pelo professor a idéia de fazer um livro, que contivesse basicamente a minha pesquisa para T.G.I., ou seja, um livro sobre a arte Kadiwéu. Claro que sendo um trabalho de projeto de produto seria preciso realizar um livro que fosse mais que programação visual, fosse um produto a ser desenvolvido por um designer de produtos, e não visual. Posteriormente surgiu a idéia de incluir este livro dentro do T.G.I., utilizando ele como um exemplo de produto desenvolvido dentro dos conceitos da arte Kadiwéu desenvolvidos no trabalho.
      

2. Proposta do Projeto

Este projeto tem como proposta a criação de um produto para o nome Willie, que foi previamente escolhido. Justificaremos então a ligação entre este nome e os Kadiwéu.

O produto escolhido é um livro. O assunto do livro será a cultura Kadwéu, tema do T.G.I desenvolvido paralelamente. Este livro deverá integrar seu desenvolvimento ao seu conteúdo, ou seja, seu desenho, suas cores, formas e sua diagramação, enfim, todo o conjunto deverão estar de acordo com o assunto, mais do que isso, deverão antecipar o assunto, contar parte do assunto tratado, ou seja, trazer o  assunto contido no texto do livro, mas sem palavras. O produto então será um retrato da arte Kadiwéu, mas com olhos para o futuro pois ele mostra novas possibilidades para essa arte. Willie será um “ texto – objeto “. 

Willie então terá um compromisso com a arte Kadiwéu, de traze-la e adaptá-la a um produto atual. Willie é ao mesmo tempo a arte Kadiwéu e suas possibilidades. Uma característica dos Kadiwéu é seu sentimento de superioridade, por isso tentam sempre se mostrar superiores aos outro povos, aplicando sua requintada arte , não só em si mesmos, mas também em seus utensílios, valorizando seus utensílios com a arte e sua cultura. E esse é o sentido deste trabalho, buscar a introdução de mais valor cultural dentro do produto, e Willie é um projeto que busca exemplificar isso.

O publico alvo escolhido para este projeto é, dentro da pesquisa da Rhodia, do tipo organizado, da faixa etária de 22 a 30 anos, de nível social A e B. Esta escolha se deve ao fato do consumo de livros ser de difícil alcance, para as classes C, D e E, devido ao preço do produto.

O publico alvo escolhido é do tipo organizado (pesquisa Rhodia), por ser o tipo de pessoa que valoriza o livro ou produtos que tragam informações e portanto sejam úteis, e que tenham uma configuração mais organizada, como um estojo. Seria um publico de nível social A e B, pois um livro é um produto caro e seus consumidores tem maior carga cultural. Seria um publico também um pouco jovem, entre 25 e 40 anos, para uma perfeita aceitação dos itens do estojo, principalmente do CD Rom, que necessita alguns conhecimentos de informática para ser usado e gosto por ela para ser desejado. O forte alvo então seria o publico pós universitário, de formação cultural mais concreta .
  

1ª etapa

  • Análise Semântica do Nome
  • Definição do produto
  • Criação do Produto (clínicas)


  • Definição do produto - O resultado final é um produto que contém um livro, mas que traz em si muitas informações que serão trabalhadas no texto.




  • Modelo Preliminar
    Com a construção do modelo preliminar forma definidas as medidas do estojo, forma necessárias algumas alterações, como na disposição dos CDs, modificando o desenho do produto.

2ª etapa

  • Publico da concorrência
  • Painéis semânticos
  • Produtos concorrentes
  • Marcas concorrentes
  • Pontos de venda
  • Consumidores dos produtos concorrentes
  • Divulgação na mídia
  • Outros produtos consumidos
  • Pesquisa de levantamento do perfil do consumidor.
  • Rendering Final

  • Vista em Transparência
  • Modelo Simulacro

  • Detalhamento de Sistemas

  • Desenhos Técnicos


Memorial Descritivo

Willie é a evolução do livro, é um livro em formato de estojo, um kit contendo um livro, que trará todas as informações sobre a arte dos índios Kadwéu¹, um CD de áudio, contendo as musicas destes índios, com alta definição e um CD Rom com recursos áudio – visuais para ser utilizado no computador. Esses acessórios servem para atualizar o conceito de livro, diante do crescente uso do computador, torná-lo um produto mais atraente para um novo consumidor, que cresceu jogando vídeo game, mas já é adulto e maduro para apreciar a busca de novos conhecimentos, e moderno, ligado nos avanços tecnológicos da nossa sociedade e ansioso por novos produtos, que tragam maior valor intrínseco e maior quantidade de informação, Willie pretende assim criar um novo conceito para o livro, carregado de mais informações e valores.

Willie nos mostra toda a arte dos Kadiwéu e apresenta todos seus aspéctos, não só no conteúdo dos CD´s e do livro, mas mesmo em sua forma e grafismos e principalmente no seu conceito, que é, através da valorização, neste caso de um produto, criar a diferenciação, então seu possuidor será uma pessoa de nível cultural mais ´´ elevado``. Isso porque os Kadiwéu buscavam sempre através de sua arte dois aspéctos, primeiro a beleza, e depois uma forma de se mostrar superior aos animais, as outras tribos e mesmo aos Kadiwéu menos importantes, ou seja, a arte mostra o ´´ Status ``.

Semanticamente podemos dizer que Willie é atraente por sua aparência, e também pelo seu conteúdo, pois é um produto que contém mais valor que seus concorrentes, pois traz  uma quantidade e qualidade de informações que dificilmente encontraríamos em um simples livro. E desse modo quem comprá-lo será alguém de cultura, de poder aquisitivo e de gosto exigente. Willie é um produto para quem gosta de cultura, gosta de conhecer uma faceta pouco divulgada da cultura brasileira, e este produto não é apenas para brasileiros, pode e deve estar em prateleiras das livrarias em outros países.  

Willie será injetado em plástico ABS, e suas partes unidas posteriormente, formando um estojo prático, bonito e durável, pois Willie deverá ter muita durabilidade, já que um livro costuma ser guardado por muito tempo. Terá também grafismos impressos em todo o corpo, se integrando á forma, lembrando que estes grafismos foram concebidos junto ao formado, dando um aspecto visual bastante forte e chamativo.

1. É regra em antropologia não flexionar o nome de uma tribo indígena, por isso dizemos os Kadiwéu, e não os Kadiwéus.

Imagens do produto final:

 

 

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3.Castiçal Anoã

Veremos aqui uma proposta de um produto, um castiçal, como exemplo de desenvolvimento de produto a partir da arte Kadiwéu. Este projeto é incompleto, pois trata –se apenas de um exemplo dentro da proposta desse trabalho, portanto temos apenas a parte de conceitualização e primeiros desenhos. Mas porque desenvolver um castiçal? Porque trata-se de um produto simples, e um tema muito explorado por designers e artistas, que tem muitas vezes um lugar de destaque na decoração. Também por ser um produto simples podemos aplicar conceitos nele de forma bem clara.

Anoã foi o nome de uma das mais notáveis e importantes artistas Kadiwéu na época em que Darcy Ribeiro os estudou. Este castiçal recebeu seu nome por ser uma demonstração da arte em que ela éra uma das maiores representantes, é uma transposição da arte gráfica para a arte tridimensional, na forma de um produto que tem maior a função decorativa e expressiva e não prática. Digo expressiva pois trata –se de um produto que comunica, passa uma mensagem na sua preocupação estética, é um produto que tem maior preocupação em ter um desenho coerente com um tema e uma proposta, é um produto com maior valor agregado O castiçal Anoã mostra uma maneira de trabalhar com a idéia de contraste entre o geométrico e o orgânico e a utilização de cores fortes. Podemos traçar uma série de paralelos entre Anoã e o Art Déco, como a busca do equilíbrio, seja pela simetria  ou pela compensação de pesos, também pelo contraste entre as formas geométricas.

Vemos na luminária Art Déco um exemplo da compensação de pesos para obter equilíbrio, como o castiçal Anoã 2 desenvolvido na parte III, enquanto no castiçal Art Déco temos o equilíbrio alcançado pela perfeita simetria, como acontece em boa parte da arte Kadiwéu. Anoã tem duas partes, a base e a aste, as duas são assimétricas e desequilibradas, mas unidas se compensam e se equilibram. A base traz o conceito de linhas curvas, que são quebradas pelas linhas retas da aste, que apesar do perfil angular tem cessão circular, pois o circulo é uma figura básica na arte Kadiwéu, assim como as espirais.

 

 

O castiçal Anoã seria construído em metal, aço ou latão, sua base seria estampada em duas etapas, a primeira para realizar os furos e a segunda para fazer a curvatura. Já a aste seria fundida e teria um aspecto bastante liso. A escolha do metal se deve á necessidade de qualidade e durabilidade, conceitos explorados nesse trabalho e extraídos da cultura Kadiwéu, do conceito de valorizar o produto.

Temos aqui alguns conceitos do estilo Kadiwéu aplicados a um produto, que se desenvolveu á partir desta arte, trazendo ainda um pouco da sua aparência, mas é na verdade um produto que não nos remete diretamente aos Kadiwéu.

Vemos aqui a simetria da vista lateral, em contraste com a assimetria da vista frontal, vemos também o contraste entre linhas curvas e retas, as cores de inspiração Kadiwéu e o equilíbrio da forma final, apesar da assimetria.

Anoã é a valorização do castiçal, pois além do aspecto funcional temos a arte aplicada ao seu conceito.

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Castiçal Anoã 2

  • Desenvolvimento da fig. 8

Escolhi esta figura por achar que apresenta a maioria dos aspéctos da arte Kadiwéu, sendo um perfeito exemplo do nível médio e mais comum alcançado por seus artistas, pode ser considerada a obra mais tradicional apresentada nesse trabalho. O ponto visual mais marcante dessa figura é a forma diagonal que se assemelha a um Z invertido, e é cercada por espirais. O ´´Z invertido`` parece estável, mas as espirais sugerem movimento constante, temos então um contraste entre movimento e estabilidade, que dá a dinâmica e a força da figura. A figura não é fechada, possibilitando a criação de composições. A simetria diagonal invertida garante um grande numero de possibilidades.

O primeiro passo foi fazer uma releitura da figura, impondo maior regularidade nas formas e na simetria, essa regularização, além de ser uma necessidade nossa para entender bem a composição, tem como objetivo tornar fácil a repetição da figura em uma composição. Nesse desenho o movimento das espirais continua e parece até mesmo acentuado, enquanto a forma de ´´Z invertido`` que divide o desenho ganhou mais força, sugerindo movimento diagonal. Primeiramente a imagem é apresentada em preto e branco para ficar ainda próxima da imagem original.

O segundo passo foi colorir a figura, primeiro com as cores próximas as utilizadas originalmente pelos Kadiwéu, para visualizar a relação entre forma e cores. Temos agora um desenho mais dinâmico, com mais profundidade.

Ao utilizarmos cores mais claras já estamos nos distanciando um pouco mais da arte original dos Kadiwéu. Estamos aqui estendendo o espectro de cores utilizado, com dois objetivos, nos distanciarmos um pouco da arte Kadiwéu, para não ficarmos muito presos a ela e também aumentarmos as possibilidades de utilização das cores em diferentes produtos, para não ficarmos muito limitados e atender as possiveis solicitações do mercado.

E ao utilizarmos cores ainda mais distantes das utilizadas Temos agora um espectro de cores derivado do original, mas que nos permite ter muito mais liberdade para dar outros tratamentos as figuras.

Criação de um produto á partir da análise.

O objetivo aqui foi criar um castiçal, que chamaremos de Anoã 2, extraído da fig. 8, então foram feitos estudos para encontrar as formas básicas do castiçal que se encaixavam dentro da temática da figura.

Depois dos estudos chegou – se ao formato básico do castiçal Anoã 2, que ressalta principalmente o ´´Z invertido `` e as espirais, fazendo uso de poucas cores por se tratar de um objeto simples. Outra característica Kadiwéu encontrada aqui, e usada como base para o desenvolvimento deste desenho, é o equilíbrio encontrado na forma final, apesar de assimétrica e irregular, com uso de contrapesos.

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Relógio Hádi

Hádi será desenvolvido á partir da figura 19 da parte III deste trabalho, já desenvolvida e com conceitos explorados.

Principais aspéctos da fig. 19 aplicados ao produto:

  • Dualidade entre linha reta e linha curva
  • Dualidade entre ângulos e curvas
  • Dualidade entre degraus e espirais
  • Dualidade entre peso e leveza
  • Dualidade entre movimento e estabilização
  • Harmonia
  • Linhas suaves bem definidas

Desenho final:

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Lixeira Xaraye

Esta lixeira traz novamente o conceito de curvas e retas de lados opostos, uma forte assimetria. Isso é usado para dar destaque para o produto, dar maior valor á sua forma. A lixeira Xaraye usa a arte Kadiwéu para chegar á um produto equilibrado e valorizado, mas não procura se assemelhar a ela.

Na lixeira Xaraye foram explorados os seguintes aspéctos da arte Kadiwéu:

  • A valorização do produto, para além de sua função, através da introdução de uma função complementar. Esta função é a informativa.
  • Usamos esta valorização da lixeira para mudar em parte sua imagem de produto de importância secundária, e de produto que deve ficar sempre nos cantos, para não aparecer muito.
  • Foram usados os conceitos de simetria diagonal e contraste entre curva e reta para dar forma á lixeira.
Comentários
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RUBENS ROSARIO PIMHEIRO  - valorização   |201.62.28.xxx |2008-09-18 19:12:43
que o trabalho possa desenvolver com sucesso no brasil e nas comunidades indigenas.
yuribittar   |SAdministrator |2008-10-01 14:53:40
E viva a cultura brasileira, em todas as suas multiplas formas!
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